EcoPapo

Espaço dedicado a comentar, debater, divulgar e trocar experiências sobre meio ambiente (ecologia, biologia marinha, educação ambiental, ecoturismo, gestão ambiental, consumo consciente, sustentabilidade, marketing verde, etc.).

Demanda de água no Brasil

23 de setembro de 2008

Demanda por água exige investimentos de R$ 12,75 bilhões por ano

No Brasil, 20% da população mais rica têm acesso à água e saneamento em níveis comparáveis ao dos países desenvolvidos, enquanto os 20% mais pobres têm acesso mais baixo que no Vietnã, segundo Relatório de Desenvolvimento Humano 2006 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Os dados revelam que a desigualdade envolve até mesmo um bem aparentemente tão abundante como a água, especialmente no país que conta com o maior volume de água doce disponível do mundo, tendo 12% de toda a reserva mundial. A vazão média anual dos rios brasileiros equivale a 72 piscinas olímpicas (180 mil metros cúbicos) fluindo a cada segundo, de acordo com informações do relatório GEO Brasil Recursos Hídricos, que, pela primeira vez, sistematizou o estado e o consumo de água no País.

O mesmo documento afirma que para reduzir à metade a população desatendida e ainda suprir a demanda crescente de água e saneamento nas cidades, o governo brasileiro terá de investir 178,5 bilhões de reais até 2020. Esse desembolso corresponde a R$ 12,75 bilhões por ano. Uma montanha de dinheiro que supera todo o valor que o governo federal deve gastar em 2007 com o custeio e os investimentos na área de Educação (R$ 9,13 bilhões).

O consumo diário de água do brasileiro varia muito de região a região, mas em algumas localidades como a Região Hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental, que se estende pelos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, as retiradas já são superiores à disponibilidade hídrica. Considerando que o abastecimento urbano é o segundo maior consumidor de água no Brasil (27%), perdendo apenas para o setor agrícola (46%), os moradores da cidade podem ajudar muito a diminuir a pressão por mais água. Veja quanto você gasta de água em algumas atividades do cotidiano:

Máquina de lavar roupa: 150 litros a cada lavagem no nível alto

Lavar a calçada com mangueira: 120 litros

Lavar o carro com mangueira: 100 litros de água

Portanto, só acione a máquina de lavar quando ela estiver bem cheia de roupa. Não lave a calçada com mangueira, varra primeiro e depois lave com um balde. Não lave o carro usando mangueira, prefira um balde. Desse modo, você vai em mais da metade o volume de água aplicado nessas atividades, vai diminuir a fatura no final do mês e, especialmente vai permitir que os recursos do governo sejam aplicados em prol daqueles que realmente não têm acesso à água limpa nem a saneamento básico.

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 22 milhões de pessoas não dispõem de água potável, e acabam suprindo suas necessidades com água imprópria para o consumo, correndo o risco de contrair diarréias e outras doenças provocadas por parasitas. As comunidades afetadas pela escassez de água de qualidade têm seu desenvolvimento social e econômico prejudicado, o que acaba por afetar a todos, direta ou indiretamente. Por exemplo, o consumo de água de má qualidade é responsável por cerca de 700 mil internamentos hospitalares todo ano, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), consumindo recursos pagos por toda a sociedade por meio de impostos.

Fonte: Instituto Akatu - http://www.akatu.org.br

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FRI Cine Ambiental - Nova Friburgo

22 de setembro de 2008

Festival Internacional de Cinema Socioambiental que visa a exibição, divulgação e premiação de filmes e vídeos que contribuam para a superação dos problemas que perturbam a paz da humanidade e ameaçam a vida na Terra.

O Festival quer contribuir para a preservação e recuperação do meio ambiente e para uma distribuição equilibrada da renda do produto do trabalho humano. Tem, igualmente, por objetivo, incentivar a produção e a exibição audiovisual na região centro-norte fluminense.

Data: 15 a 19 de outubro

Categoria: competitivo para filmes com temática socioambiental (amplamente compreendida), de todos os gêneros, formatos e durações.
Locais de exibição: Centro de Arte; Usina Cultural da Energisa; Escola Oficina de Arte; Casa da Cultura, no centro da cidade, e bairros da periferia.
Programação:
Mostra competitiva nacional (Troféu Alcantarea Imperialis para o melhor longa ou média metragem, e para o melhor curta). Mostra competitiva regional (Prêmio CTAV de Incentivo à Produção e Troféu Cão Sentado), e Prêmio Roberto Farias para o melhor filme do festival.

Mostras informativas

Atividades paralelas: oficinas de animação , de linguagem e produção audiovisual, palestras, debates, exposições e outras atividades artísticas e ambientais.

Responsável: Pedro Cavalcanti
Entidade promotora: Jardins de Altitude da Mata Atlântica e Prefeitura de Nova Friburgo 

CONTATO:
Centro de Arte , Praça Getúlio Vargas, 71
Nova Friburgo / RJ - CEP: 28610-175

Tel.: (21) 2225-7980 / (22) 2533-1350 / (21) 9366-7521
fricineambiental@yahoo.com.br; jardinsdealtitude@yahoo.com.br
www.fricine.com.br

—– Original Message

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A paz é verde

A primeira mulher africana a ganhar o Prêmio Nobel da Paz é ambientalista. A queniana Wangari Maathai surpreendeu o mundo ao aparecer como a vencedora do prêmio no valor de U$ 1,38 milhão, concorrendo com gente graúda como o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica e inspetor de armas da ONU, o egípcio Mohamed El Baradei.

“Essa é a maior surpresa da minha vida inteira”, disse Maathai ao ser informada da premiação. Na verdade, esta entusiasmada militante de 64 anos é uma colecionadora de títulos inusitados. Ainda jovem, teve a chance de completar os estudos fora do país. Formou-se em Biologia e fez mestrado nos Estados Unidos. De volta para o Quênia, tornou-se a primeira mulher a coordenar um departamento na Universidade de Nairobi. Vencendo o preconceito dos colegas - todos homens –, dirigiu a Faculdade de Medicina Veterinária, onde tornou-se a primeira mulher da África Central a alcançar o título de PHD. Hoje, Wangari Maathai é a vice-ministra do Meio Ambiente do Quênia.

Mas foi em 1977 que a doutora Maathai começou a chamar a atenção do mundo ao criar o Movimento Cinturão Verde. O objetivo era audacioso: recrutar mulheres negras e pobres para reflorestar o país. Com apenas 2% do território ainda cobertos de verde, o Quênia sofre com o desflorestamento acelerado causado pela necessidade de lenha. Num país com infra-estrutura deficiente na área de energia, boa parte da população precisa de lenha para cozinhar e se aquecer nos meses de frio. Um relatório da ONU informava que, no ano de 1989, para cada 9 mudas de árvores plantadas no Quênia, 100 eram derrubadas.

O desflorestamento acelerava a desertificação do solo, a perda de biodiversidade, a morte dos rios e nascentes, o desaparecimento de animais que passaram a buscar refúgio em outras áreas distantes, e cada vez mais aumentava a dificuldade de achar lenha.

O Cinturão Verde reverteu o processo de destruição das poucas áreas verdes e promoveu o plantio de 30 milhões de mudas de árvores no Quênia, gerando emprego e renda. “Quando plantamos árvores, plantamos sementes de paz”, afirmou Wangari Maathai, reforçando um dos princípios do desenvolvimento sustentável, que é aquele que compatibiliza o ganho econômico com os benefícios ambientais e sociais.

À frente do Cinturão Verde, a doutora Maathai formou desde 1992 dez mil pessoas em cursos de capacitação. Criou também a Rede Africana Verde, que disseminou suas práticas pelo continente formando lideranças em 15 países africanos.

O reaparecimento das florestas evita o aumento dos índices de pobreza e miséria, que precipitam as estatísticas de violência. A organização do Prêmio Nobel lembrou que “mais do que simplesmente proteger o meio ambiente que existe, a estratégia de Wangari Maathai é assegurar e fortalecer a própria base para o desenvolvimento ecologicamente sustentável.”

Da distante Suécia, da gélida e rica cidade de Estocolmo, a comissão julgadora do mais importante prêmio do mundo resgatou a história desta mulher, que ninguém conhecia, e que graças ao Nobel da Paz, passa a ser referência. Viva Wangari Maathai.

 

Fonte: http://www.mundosustentavel.com.br/artigo.asp?cd=20

 

André Trigueiro é jornalista com Pós-graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ, Professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ, autor do livro “Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação” (Editora Globo, 2005), Coordenador Editorial e um dos autores do livro "Meio Ambiente no século XXI", (Editora Sextante, 2003).

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Segurança Pública, Direitos Humanos e Violência

Lançamento do livro Segurança Pública, Direitos Humanos e Violência, organizado por Rafael Fortes.

O livro traz entrevistas inéditas com Cecília Coimbra, Chico Alencar, Ignacio Cano, João Tancredo, Julita Lemgruber, Marcelo Freixo, Marcelo Salles, Paulo Ramos e Vera Malaguti Batista; e artigos de José Arbex Jr., Leonardo Sakamoto, Maria Helena Moreira Alves, Mário Maestri e de Rafael Fortes. 
O prefácio é de João Luiz Duboc Pinaud. 

Data: 24/9/2008, 4ª
Horário: a partir das 19h
Local: Av. Mem de Sá, 126, Lapa (Rio de Janeiro).

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Dia Mundial de Limpeza das Praias

16 de setembro de 2008

Dia Mundial de Limpeza 2008 Clean Up The World 2008

Comece Hoje para Salvar o Amanhã - "Start Today to Save Tomorrow".

 

Junte-se aos 35 milhões de pessoas de mais de 125 países em prol de um mundo mais limpo! Seja Voluntário! Contamos com a sua presença!

 

Dia 20 de Setembro de 2008 - Sábado
De 10 às 13 horas
(veja abaixo os pontos de encontro)

 

O Instituto Ecológico Aqualung e seu Projeto Limpeza na Praia, que realizam esse evento pelo 6º ano consecutivo, conclamam a todos e a seus associados a participarem ativamente dessa ação extremamente importante para a qualidade de vida de todos, especialmente dos animais marinhos. Milhares de voluntários atuarão por todo o Brasil em um grande mutirão de limpeza e também de conscientização para Não Jogar Lixo em lugares impróprios.

 

O Dia Mundial de Limpeza ou Clean Up The World é, essencialmente, um evento do tipo "mãos à obra". Tem o claro objetivo de fazer algo concreto pelo meio ambiente com resultados imediatos e locais: limpar o lixo descartado irresponsavelmente e acumulado em todos os litorais do planeta. Simboliza também a união mundial e a dedicação em prol de um mundo mais limpo, consciente e saudável para a humanidade. Essa iniciativa, que teve início na praia de Copacabana (RJ), em 2003, cria a oportunidade da participação voluntária individual e anônima. Ou seja, qualquer pessoa interessada pode ajudar de forma efetiva, mesmo que não faça parte de um grupo formado para atuar no dia do evento (veja abaixo os pontos de encontro para poder participar).

 

Deixando de jogar lixo nas praias, mares, rios e lagoas, ao mesmo tempo em que ajudamos na limpeza desses ambientes, retirando os detritos sólidos descartados de forma irregular, podemos vislumbrar dias melhores para o seres marinhos e para nós mesmos.

 

Afinal, quem não gosta de chegar na praia, respirar o ar fresco, pisar na areia branca e mergulhar na água limpa. Esse evento vem se tornando um dos eventos ambientalistas internacionais mais conhecidos, participativos e efetivos do mundo.

 

Participam simultaneamente neste dia mais de 35 milhões de pessoas de mais de 125 países em prol de um mundo mais limpo. Essa ação visa ampliar a conscientização, reforçar a educação ambiental dos usuários em relação ao lixo lançado nas praias e fazer uma coleta seletiva que será doada à instituições de reciclagem, gerando ao final um relatório a ser enviado posteriormente para a ONU/UNEP.

 

Como sempre fazemos, além das luvas, 25 mil sacos de lixo biodegradáveis fornecidos pela Antilhas, serão distribuídos aos voluntários nos pontos de encontro determinados, e os resíduos coletados serão catalogados, para gerar um Relatório Final para a ONU, e destinados às cooperativas e instituições de reciclagem. Durante esses anos de campanha, mais de 12 toneladas de microlixo foram retiradas de nossas praias, melhorando a qualidade de vida e impedindo que animais marinhos viessem a se asfixiar e morrer por inanição. O sucesso do evento deve-se à forte união e credibilidade de todos os participantes e apoiadores desta nobre causa.

 

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Pontos de Encontro / Coordenadores de Área:(Sempre com início às 10 horas e término às 13 horas, em todos os pontos). Rio de Janeiro Praia de Copacabana:
Leme - Próximo à Pedra do Leme, onde os voluntários caminharão em direção ao JW Marriott Hotel RJ, na Rua Santa Clara;
Posto 06 - Colônia dos Pescadores - A coleta será também em direção ao JW Marriott Hotel RJ, na Rua Santa Clara.

Praia de Ipanema: Pedra do Arpoador - Posto 07, onde os voluntários caminharão rumo à Rua Garcia D’Ávila.

Praia do Leblon: concentração no posto 12, com atletas e banhistas.

Praia de São Conrado: em frente ao Pouso de Asa Delta coletando em direção ao Hotel Intercontinental, com pilotos de asa delta, parapentes e surfistas.

Praia da Barra da Tijuca:
Quebra-mar caminhando até ao Quiosque do Pepê;
Em frente ao Condominio Beton, com o CT Surf.

Praia do Recreio: em frente a praia do Pontal

Sepetiba: encontro no "Coreto", com a coordenadora Magali.

Ilha do Paquetá: encontro com a Guarda Municipal.

Ilha do Governador: Praia da Bica.

Maricá - RJ - Praia da Moreninha.

Cabo Frio - RJ - Concentração Geral na Praia do Forte e suas proximidades (Coordenação: Secretaria de Meio Ambiente e Pesca de Cabo Frio).

Saquarema - RJ - Concentracao nas praias locais; com surfistas e moradores desta localidade.

Brasília - DF - Concentração Geral no Lago Paranoá e suas proximidades (Coordenação: ONG EcoAtitude e Caenge Ambiental).

Vitória - ES - Concentração na praia de Camburi (Coordenação: Funcionários da RJRefrescos / Coca-Cola).

Porto Seguro - BA - Concentração nas praias de Porto Seguro e Arraial D’ Ajuda (Coordenacão: Maria Isabel Chaves).

Salvador - BA - Concentração no bairro de Itapuã, nas seguintes praias: Pedra da Sereia, Rua K, Canal, Farol de Itapuã, Pedra do Sal e Praia do Camping. (Coordenação: Ong JogueLimpo Bahia).

Belo Horizonte - MG - Concentração na Lagoa da Pampulha. (Coordenação: Juliano Macedo).

Santa Catarina - SC - Concentração na praia de Bombinhas e suas proximidades (Coordenação: Pousada Pedra Salgada).
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Coordenação Geral: em frente ao Hotel JW Marriott RJ - Praia de Copacabana.Marcelo Szpilman (Instituto Ecológico Aqualung) - (21) 9266-2928.

Organização Geral:Anna Turano Botelho e Hildon CarrapitoCoordenadores do Projeto Limpeza Na Praia
Organização Clean Up The World RJ / Brasil
Projeto Limpeza Na Praia / Instituto Ecológico Aqualung - IEA
Telefax.: 55 21 2225-7387 Cel.: 55 21 9174-9460.

Site: http://www.institutoaqualung.com.br/limpeza.html
E-Mail: limpezanapraia@institutoaqualung.com.br Instituto Ecológico

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Cinema Ambiental no Jardim Botânico RJ

Cine Gaia - 1º Festival de Cinema Ambiental do Jardim Botânico do Rio de Janeiro recebe filmes

Estão abertas as inscrições para o Cine Gaia - 1º Festival de Cinema
Ambiental do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O Festival será
realizado na cidade do Rio de Janeiro de 31 de outubro a 9 de novembro de 2008, com exibições no Espaço Tom Jobim, localizado no Jardim Botânico, e no Centro Cultural dos Correios.

Serão selecionados filmes e vídeos de todos os gêneros, durações, técnicas e sem limite de data de produção, que abordem a temática ambiental. Entende-se por filme de temática ambiental a obra que trata de questões ambientais, usando linguagem documental ou ficcional, onde o relacionamento do homem com o meio ambiente é um dos elementos fundamentais.

O Cine Gaia, em sua primeira edição, vem tomar parte das comemorações do Bicentenário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Ao longo dos dez dias de evento, serão oferecidas ao público diversas atividades ligadas à conscientização ambiental, tais como debates, palestras e oficinas, além do festival de cinema. Todas as atividades e exibições serão gratuitas.

O Cine Gaia é o festival de cinema ambiental de uma das mais antigas
instituições brasileiras: o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, um dos 10
mais importantes em todo o mundo. O JBRJ foi e é responsável por expedições científicas que trouxeram novas espécies de plantas ao Brasil e pela divulgação da Megadiversidade do país. A cidade do Rio de Janeiro por sua vez compõe o cenário perfeito para discussões sobre a questão ambiental e a exibição de filmes sobre o tema, por se tratar de uma metrópole que sofre com muitos problemas ambientais e ao mesmo tempo abriga remanescentes da Mata Atlântica, ecossistema altamente ameaçado.

As inscrições para participação no Festival estão abertas de 22 de agosto a 22 de setembro de 2008. Para ter acesso à ficha de inscrição e ao regulamento do festival visite o site: www.cinegaia. org . A data limite para inscrições via Internet e para o recebimento do material de seleção será dia 22 de setembro de 2008.

Envie seu filme para
FESTIVAL CINE GAIA
Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Presidência
Rua Pacheco Leão, 915 - Jardim Botânico.
Rio de Janeiro / RJ
CEP 22470-180 BRASIL

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Jornalistas vão debater sustentabilidade em Sampa

Encontro Latino-Americano pretende aprofundar o diálogo sobre cobertura da mídia e atuação das assessorias na construção de novas pautas

Durante três dias jornalistas de mídias e de assessorias de imprensa de empresas, governos e ONGs vão conversar com especialistas sobre a construção das novas pautas da sustentabilidade. O Encontro Latino-Americano de Comunicação e Sustentabilidade, que está sendo organizado pelo Instituto Envolverde, terá três linhas temáticas: Amazônia, Água e Energia.

A Envolverde tem como Missão o “Jornalismo pela Sustentabilidade” e, neste evento, quer levar ao seu público alguns olhares mais integrados de como inserir a questão da sustentabilidade em todas as pautas. Uma das dificuldades do dia a dia na construção de pautas que tenham clara a vertente da responsabilidade socioambiental e do compromisso com modelos de desenvolvimento capazes de suprir a sociedade de produtos e serviços de qualidade e com baixo ou nenhum impacto ambiental.

Empresas, ONGs e governos estão trilhando novos caminhos, com busca de diálogos antes inexistentes e precisam que a mídia compreenda esta busca por modelos capazes de oferecer alternativas a problemas que sequer existiam poucas décadas atrás. Nas mesas deste Encontro poderão ser debatidos temas como

- Amazônia e Sustentabilidade,
- Sustentabilidade na Mídia,
- Sustentabilidade como Conceito,
- Água no século XXI,
- Mudanças climáticas,
- Comunicação corporativa da sustentabilidade,
- A Energia para o Desenvolvimento,
- A Energia na Mídia
- O Continente da Biomassa

Estarão presentes jornalistas como Luciano Martins Costa (Observatório da Imprensa), André Trigueiro (Mundo Sustentável), Vilmar Berna (Revista do Meio Ambiente) Peter Milko (Horizonte Geográfico), Paulina Chamorro (Rádio Eldorado), Dal Marcondes (Envolverde), Fátima Cardoso (Envolverde), Andréa de Lima (Envolverde) Ricardo Voltolini (Idéia Socioambiental), Rogério Ruschel (Ruschel & Associados), Paula Scheidt (Carbono Brasil - a confirmar), Alex Branco (especialista em jornalismo rural) e Joaquin Costanzo (diretor para a América Latina da IPS)

Entre os especialistas o evento promete as presenças de Fernando von Zuben – Diretor de Desenvolvimento Ambiental da Tetra Pak, Marina Silva - a confirmar - senadora e ex-ministra do meio ambiente, João Meirelles – diretor do Instituto Peabiru, Caio Magri - assessor de políticas públicas do Instituto Ethos, Nelson Cabral - gerente setorial de segurança, meio ambiente e saúde da Petrobras, Ladislau Dowbor – professor titular da PUC São Paulo, Beatriz Bulhões – CEBDS, Flávia Moraes — Consultora em sustentabilidade empresarial, José Machado - Presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Daniel G. Allasia Piccilli — a confirmar - Secretário regional para a América do Sul da Global Water Partnership, Rosane Aguiar – Gerente de Meio Ambiente da Petrobras, Pedro Jacobi — Professor titular do Procam-USP, Paulo Artaxo — Professor titular do Instituto de Física – USP, Fabio Feldmann – Secretário do Fórum Paulista de Mudanças Climática e Biodiversidade, Luiz Fernando Neri – Gerente de Sustentabilidade da Petrobras, Eduardo Martins — Diretor da E-labore, Roberto Schaeffer – COPPE, Ignacy Sachs – a confirmar - professor da Universidade de Paris, Marcos Jank - a confirmar – ÚNICA, Luis Fernando Laranja – coordenador do programa de agricultura e meio ambiente do WWF e Roberto Waack — Presidente do conselho consultivo do ARES (Instituto para o agronegócio responsável).

Serviço:

Encontro Latino-Americano de Comunicação e Sustentabilidade

16, 17 e 18 de outubro de 2008 em São Paulo (SP)

Realização – Instituto Envolverde

Informações e Inscrições - http://institutoenvolverde.blogspot.com

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Um drama que vem embalado

A campanha eleitoral na TV e no rádio mostra, principalmente nos grandes centros urbanos, uma temática semelhante, que quase se resume às questões dos transportes, da violência, da educação e da saúde.

Quase não está presente nas propostas e discussões a questão dos resíduos, do lixo.

E, no entanto, é das mais graves que enfrentam as cidades, das mais populosas às menores. Convém relembrar que já em 2002 eram coletadas 230 mil toneladas diárias só de lixo domiciliar e comercial no País (1,3 quilo por pessoa/dia), sem falar em resíduos de construções (mais que o domiciliar e comercial), lixo industrial, de estabelecimentos de saúde, lixo tecnológico e – ausência absoluta – lixo rural produzido principalmente pelos excrementos de mais de 200 milhões de cabeças de gado bovino, dezenas de milhões de suínos, bilhões de aves.

Pouco se sabe também de quanto lixo urbano não é coletado. Fala-se em mais de 10 mil toneladas/ dia. E em mais de metade dos municípios todos os resíduos vão para lixões a céu aberto.

Para demonstrar a gravidade da situação basta relembrar que a cidade de São Paulo está com seus aterros esgotados e terá de definir, em curtíssimo prazo, onde depositará as pelo menos 14 mil toneladas diárias de lixo domiciliar e comercial que gera.

Curitiba também esgotou seu aterro. Belo Horizonte tem de mandar seu lixo para dezenas de quilômetros de distância. O Rio de Janeiro, que não tem área no município para colocar suas 9 mil toneladas diárias de resíduos e esgotou o Aterro de Gramacho – onde já há trincas perigosas e expulsão do lodo da base (era um manguezal) por causa do excesso de peso acumulado –, tenta licenciar outro aterro em Paciência.

Convém lembrar ao eleitorado de todas essas cidades o que aconteceu em Nova York (EUA), que deixou esgotar seu aterro e tem e mandar 12 mil toneladas diárias para mais de 500 quilômetros de distância, em caminhões.

Ou em Toronto (Canadá), que também manda 3 mil toneladas diárias para mais de 800 quilômetros de distância, em trem diário especial, a custos astronômicos. Não bastasse o volume do lixo, é preciso acrescentar que a reutilização e reciclagem de materiais no País é muito insuficiente.

As estatísticas dizem que só se reciclam em empresas 45,5% (2,8 milhões de toneladas/ ano) do papel e papelão descartados, 45% do vidro, 24,2% das embalagens longa-vida (9,2 bilhões), 1 milhão de toneladas de plásticos e 95% das latas de alumínio. As usinas públicas de reciclagem paulistanas operam com menos de 1% do lixo total.

E a esse panorama assustador veio, há poucas semanas, agregar-se mais uma preocupação: a liberação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do uso de embalagens de PET para acondicionar alimentos e bebidas. Hoje, quase 50% do PET usado no País já não é reciclado. E se toda a produção de cervejas no País (9 bilhões de litros/ ano) passar a ser envasada em PET, serão descartados entre 14 bilhões e 18 bilhões anuais de garrafas – agravando o problema dos aterros e das embalagens não recolhidas, já que não há retorno e reutilização.

Não se sabe ainda como se resolverá juridicamente a questão de haver sido concedida pela Justiça Federal, em Marília (SP), medida que exige aprovação, pelo Ibama, de estudo de impacto ambiental para essa utilização do PET em cervejas.

Também no âmbito do projeto de Política Nacional de Resíduos Sólidos enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional não se vê otimismo. Isso ficou patente em recente seminário promovido no Rio de Janeiro pelo Movimento PET Consciente.

O relator da matéria, deputado Arnaldo Jardim, mostrou ali que se prevê uma “logística reversa” a ser implantada nas cadeias produtivas para dar destinação a embalagens; mas isso só será decidido, na prática, numa regulamentação posterior ao projeto.

E a experiência mostra, em projetos anteriores, que esse caminho tem sido barrado no Legislativo pela força dos lobbies dos setores interessados.

Segundo o deputado, a responsabilidade do gerador de resíduos em geral “cessa com a disponibilização adequada dos resíduos sólidos para a coleta”. Será lamentável se for esse o rumo decidido.

Porque não haverá solução para o problema se todo gerador de resíduos (industrial, comercial, domiciliar, rural, tecnológico e qualquer outro) não arcar com o custo da coleta e destinação – como a experiência em muitos países tem demonstrado (e é lamentável que a reduzida discussão sobre esse tema na capital paulista se resuma à afirmação da ex-prefeita de que se arrepende de haver criado a “taxa do lixo”, abolida pela administração posterior – a criação é que era correta e imprescindível) .

No mesmo seminário, o professor Gil Anderi, da Universidade de São Paulo, sugeriu que se crie uma taxa por produto descartado “proporcional ao impacto ambiental”.

E este deveria ser avaliado por uma “análise do ciclo de vida” do produto: no caso do PET, o impacto desde a extração do petróleo, a refinação, a produção da resina, sua transformação em embalagem e até o impacto na reciclagem (energia, água, transporte, etc.).

Para isso seria preciso implantar um banco de dados regional por produto, que no caso do PET levasse em conta 13 possíveis utilizações e cinco opções diferentes de garrafas. Seja como for, não será possível avançar – como assinalou no seminário o jornalista André Trigueiro – “sem que se explicitem os conflitos”. Eles precisam ser discutidos.

Talvez um caminho seja o proposto pelo Movimento PET Consciente: moratória em novas utilizações do PET, até que se alcance o índice mínimo de 80% na reciclagem; e a indústria de bebidas ter obrigatoriamente pelo menos 50% de sua produção envasada em embalagens retornáveis – sejam elas de vidro, PET, alumínio ou outras.

Washington Novaes é jornalista
E-mail: wlrnovaes@uol. com.br

Publicado no Estado de S.Paulo, 29 de agosto de 2008

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Consumo para lá de desenfreado

Charles Melman sobre as pessoas que procuram seu consultório: insatisfeitas, "o que querem é descobrir uma forma de ir além"

Um mundo sem ideais. Uma vida política desértica. Sexo e prazer banalizados. A visão do psicanalista Charles Melman sobre nossa sociedade e seu futuro não é nada animadora. Por trás das críticas que o francês - um dos principais colaboradores de Jacques Lacan - faz ao mundo atual está o avanço desenfreado do consumo, essencial para o bom funcionamento da engrenagem que move o sistema capitalista.

"Hoje, uma em cada quatro crianças chinesas é obesa. Isso é uma boa notícia para o capitalismo. Afinal, significa que suas mães compram mais e mais comida", observa Melman, que preside a Associação Lacaniana Internacional e foi diretor de ensino da Escola Freudiana de Paris, presidida por Lacan, e de sua revista, a "Scilicet".

O consumo, por sua vez, virou a palavra de ordem da sociedade e contribuiu para a implosão dos ideais e para a banalização do prazer. É o desejo pelo novo modelo de tocador de MP3, de computador ou celular que baliza as relações sociais das novas gerações. "Seus ídolos não são militantes ou líderes políticos. Eles admiram Bill Gates", disse Melman ao Valor enquanto bebia goles d’água em um mais um dia de intenso calor na capital baiana. Ele veio ao Brasil para ser um dos palestrantes do ciclo de conferências "Fronteiras do Pensamento", promovido pela Braskem.

A perda do interesse pela política e, conseqüentemente, a dissolução de ideais, parece, na visão do psicanalista, estar ligada às provocações da sociedade de consumo, que "encoraja todas as satisfações, sem que as pessoas estejam preocupadas com os efeitos que essa busca incessante por prazer pode trazer para si e para os outros". O consumo, em princípio, não é algo ruim. O problema é que entrou nas zonas de abuso, de inutilidade e destruição.

Para Melman, o consumismo permite que o homem seja mais livre, mas a um preço extremamente alto. "As pessoas são de fato muito mais livres porque, na maioria das vezes, não carregam nenhuma referência moral. Ao mesmo tempo, tornam-se escravas dos objetos destinados à sua satisfação. Somos todos escravos desses objetos", adverte.

Nem o sexo escapa da roda do consumo. É mais uma mercadoria, deixou de ser sagrado, de ter relação com o desejo e o amor. O sexo é mais uma atividade, como ir à academia, fazer compras ou buscar os filhos no colégio. Sua dessacralização é acompanhada pela exposição exarcebada do corpo humano. Isso acontece não só no dia-a-dia das pessoas, mas também na arte contemporânea. Para Melman, "os objetos são expostos de maneira bruta. Cada um de nós tenta realizar um ideal de beleza, mas somos convidados a renunciar a isso e a nos apresentar de forma crua, sem representações."

Para ser cidadão, é preciso simplesmente consumir. Preocupa o fato de que os jovens estão satisfeitos com a festa permanente propiciada por essa nova cidadania. "É a primeira vez que o desejo do jovem não ocorre em oposição ao que prega a organização social", ressalta Melman. Mesmo ele tendo a possibilidade de realizar boa parte do que deseja, há limites para isso. Não que a sociedade os imponha. "É o jovem que não sabe mais como ultrapassá-los", na avaliação do psicanalista francês. As novas formas de satisfação passam pela anestesia do corpo: drogas, álcool e, até mesmo, relações virtuais.

Melman dá o exemplo de uma adolescente que bebe todo dia em bares, discotecas e festas de amigos. Quando se cansa de só beber, passa a usar drogas. "Chega um ponto em que ela não sabe como ir além, como ter novas formas de prazer, e isso gera uma insatisfação grande, muito grande", explica. É a partir daí que muitos decidem procurar ajuda especializada e chegam a seu consultório. Não se pense, no entanto, que as pessoas chegam lá querendo encontrar a felicidade em outras coisas prazerosas ou aprender a ser felizes com o que têm, com o que são. "O que querem é descobrir uma forma de ir além."

Esses anseios e angústias passam a permear todos os tipos de relacionamento, especialmente os amorosos. Como cada um espera uma satisfação integral e uma relação sem defeitos, a frustração acaba sendo inevitável. "As pessoas sentem-se enganadas, pois não obtiveram o que acham que lhes era devido. Muitas vezes, a violência surge nesse momento, como forma desesperada de tirar do parceiro aquilo que ele não quis ou não foi capaz de oferecer. Aonde tudo isso irá nos levar? "Infelizmente, não tenho as capacidades de um profeta", responde Melman, sorrindo.

Publicado no Valor Econômico - Por Raquel Salgado, de Salvador
29/08/2008

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Artigo de Wangari Maathai

1 de setembro de 2008

Cuidar do meio ambiente é vital para erradicar a pobreza

Wangari Maathai*

O futuro da África está novamente na agenda mundial. As Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM), estabelecidas pelas Nações Unidas, são uma das iniciativas com as quais se está enfrentando o drama africano. Entretanto, o papel essencial do meio ambiente ainda é marginal nas discussões sobre a pobreza. Enquanto continuamos discutindo essas iniciativas, a degradação ambiental, incluindo a perda de biodiversidade e da camada de húmus está se acelerando, o que faz desfalecer os esforços em favor do desenvolvimento. Sem uma melhor administração dos recursos naturais, as MDM, sobretudo a eliminação da pobreza, podem não passar de um sonho.

Meu próprio país, o Quênia, é um bom exemplo disso. As selvas do Monte Quênia, na linha do Equador e na cordilheira Aberdare, são a fonte de centenas de correntes de água que confluem no rio Tana, o maior do país, que proporciona água potável a milhões de quenianos. As selvas servem como depósitos que armazenam água da chuva em reservatórios subterrâneos. Muitos setores, incluindo o industrial, agrícola, turístico, a pecuária e o energético, dependem destes depósitos de água. Há 60 anos, as montanhas foram desmatadas e as variadas espécies selvagens substituídas pelo monocultivo de pinheiros e eucaliptos utilizados para fins comerciais. Para manejar o baixo custo dessas plantações, a administração introduziu o sistema shamba, pelo qual se permite aos camponeses cultivarem plantas de uso alimentar entre as árvores em crescimento.

Ao mesmo tempo em que cuidam de suas colheitas, os camponeses cuidam dos pinhos e eucaliptos, o que significa uma redução dos custos de plantação. Mas este sistema destrói a capacidade das florestas de fornecer elementos decisivos para sua própria sobrevivência e para seus habitantes, tais como repor os níveis de água subterrânea, sustentar o volume de água dos rios, criar o habitat de uma extensa série de seres viventes e regular a queda de chuvas. Lamentavelmente, estes problemas provocados pelo sistema shamba nem sempre são bem compreendidos. Depois de muitos anos de maus-tratos das selvas a biodiversidade desaparece, os rios secam, as inundações se tornam freqüentes, aumenta a erosão do solo, a terra sofre degradação, aumenta a desertificação, as chuvas diminuem e cai a produção agrícola.

Os produtores em pequena escala têm de trabalhar em terras degradadas. Para eles, a fome é um fenômeno comum. Essas condições sufocam as perspectivas de erradicar a extrema pobreza e a fome e de reduzir a mortalidade infantil, e também todas as Metas de Desenvolvimento do Milênio. Sob tão inquietantes condições, as comunidades mostram quadros típicos de desespero. Tudo isso pode ser evitado se os recursos florestais forem aproveitados de maneira mais sustentável. Este ano no Quênia as chuvas prolongadas foram tardias e leves, o que impediu muitos camponeses de semearem suas terras. Três milhões de pessoas, quase 10% da população, dependem agora da ajuda alimentar do governo. Cerca de 60% da população queniana é rural e a maioria ainda ganha a vida com a agricultura.

Desaparecidas as selvas, nada resta para impedir a erosão do solo e a perda maciça do húmus. Isto, combinado com os baixos níveis dos cursos de água e a grande quantidade de terra acumulada nos diques ao longo do rio Tana, desafia a capacidade do governo para gerar suficiente energia proveniente das represas hidrelétricas. O Quênia tem de comprar energia elétrica de países vizinhos para expandir a eletrificação rural e o desenvolvimento industrial. Deve-se sacrificar outras prioridades vinculadas ao desenvolvimento, tais como o combate contra o HIV/aids e outras enfermidades e a melhoria da saúde materna. A escassez de eletricidade também faz com que as pessoas pobres utilizem carvão vegetal para fornecer energia, o que provoca um futuro desmatamento e limita as perspectivas de alcançar a meta de número sete do milênio, que busca assegurar a sustentabilidade ambiental.

Finalmente, a destruição das florestas do Quênia também prejudica o turismo, importante fonte de divisas. Ao ser afetado o habitat dos animais selvagens, estes buscam comida e água em outras áreas e, freqüentemente, morrem vítimas de caçadores ilegais ou de pessoas que defendem a si mesmas ou protegem seus meios de sustento. A organização que fundei, a Green Belt Movement (Movimento Cinturão Verde), lançou um projeto-piloto em sociedade com o governo queniano para restaurar florestas degradadas e proteger terras com vegetação e árvores nativas. As mulheres locais estão fazendo estufas de árvores indígenas e plantando-as nas florestas de Aberdare.

Para cada planta, cada mulher ganha cerca de US$ 0,35. Este dinheiro pode ser usado para uniformes escolares, alimentos nutritivos e cuidados sanitários com elas e seus filhos. A África está atrasada em relação a outras regiões quanto aos progressos para concretizar a Metas de Desenvolvimento do Milênio. Se não reconhecermos que o cuidado do meio ambiente é fundamental para um desenvolvimento sustentável e para acabar com a pobreza corremos o risco de não conseguir nenhuma dessas metas e de degradar o recurso básico do qual depende o desenvolvimento futuro.

*Wangari Maathai é ambientalista e vice-ministra do Meio Ambiente do Quênia. Foi ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 2004.

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