EcoPapo

Espaço dedicado a comentar, debater, divulgar e trocar experiências sobre meio ambiente (ecologia, biologia marinha, educação ambiental, ecoturismo, gestão ambiental, consumo consciente, sustentabilidade, marketing verde, etc.).

Geógrafo da Univali aponta riscos do Pré-sal

24 de setembro de 2009

Por Cintia Végas

Muito se fala sobre os ganhos econômicos que o Brasil pode ter com o pré-sal. Porém, pouco se discute sobre os riscos que a exploração do mesmo pode representar ao meio ambiente.

Ontem, o assunto foi trazido à tona em Curitiba, durante o VI Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), que acontece no ExpoUnimed, no câmpus da Universidade Positivo.

O principal problema gerado pela exploração seria a transferência de uma quantidade imensa de carbono retida por milhões de anos na camada pré-sal para a superfície. Isso contribuiria com o aumento do efeito estufa e das mudanças climáticas no planeta.

Segundo o geógrafo e professor da Universidade Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina, Jules Marcelo Soto, a exploração do pré-sal é um contrassenso. Isso porque, enquanto o mundo está buscando alternativas energéticas, o Brasil passa a defender o petróleo como algo fundamental e prioritário.

“O pré-sal já é conhecido há pelo menos quinze anos e não é exclusivo do Brasil. Porém, agora, a exploração da reserva de petróleo que se encontra abaixo de uma camada de sal se tornou uma bandeira política”, comenta. “Muitos países já estudaram a exploração do pré-sal e desistiram da ideia devido ao grande desafio e ao altos riscos que a atividade representa. Entre esses países estão os Estados Unidos, que pensavam em fazer a exploração no Golfo do México”.

Jules não duvida que a Petrobras seja capaz de desenvolver uma tecnologia para explorar o pré-sal de forma segura. Entretanto, por mais que isso aconteça, o professor diz que os danos causados pelos gases oriundos do processo de beneficiamento e queima de petróleo e pelos contaminantes físicos do produto (como plásticos e óleo derramado) serão imensos.

“Com a exploração do pré-sal, muita gente vai enriquecer. Porém, não consigo enxergar ganhos sociais para o Brasil”, afirma. “O ônus da exploração deve ficar com nossos netos, que vão sofrer em função dos impactos ambientais que vamos causar hoje. A camada de pré-sal levou milhões de anos para ser formada e o homem está dizendo que vai consumi-la em quarenta anos. Estamos consumindo recursos de escala geológica em um tempo mínimo”.

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Nemo está perdido…

Mudanças no oceano podem confundir os peixes-palhaço

Por Gisela Blanco
Revista Superinteressante – 09/2009


No desenho animado, tudo acaba bem. Nemo é resgatado e volta a morar com sua família no fundo do mar. Mas cientistas australianos descobriram que, na vida real, o desfecho está mais para o drama. Com o aquecimento global, os oceanos estão ficando mais ácidos – o que, no futuro, poderá arrasar o senso de direção dos peixes-palhaço. Isso porque os Nemos da vida real se orientam “cheirando” os minerais da água. Quando ela fica mais ácida, os peixinhosnão conseguem sentir os minerais e ficam perdidos – não localizam seu habitat, os bancos de corais.

E isso vai acontecer. Hoje, o grau de acidez (pH) dos oceanos é de aproximadamente 8,15. Os cientistas preveem que, até o final deste século, os mares fiquem ligeiramente mais ácidos, com pH de 7,8. É uma diferença pequena (o pH da água encanada que você bebe na sua casa pode variar muito mais, de 6 a 9,5). Mas, para os peixes-palhaço, é um verdadeiro pesadelo. Uma experiência feita por biólogos australianos revelou que os peixes-palhaço começam a exibir sinais de confusão quando colocados em água com pH de 7,8. Além de ficarem desnorteados, eles perdem a capacidade de reconhecer os próprios pais (habilidade que essa espécie desenvolveu para evitar a reprodução entre membros de uma mesma família).

Outros tipos de peixe, como o salmão, também vão ficar totalmente desorientados. Eles podem se adaptar às mudanças, mas os biólogos não são muito otimistas quanto a isso. “Isso [o aumento de acidez] está acontecendo muito rápido, 100 vezes mais depressa que a última grande acidificação dos oceanos”, afirma o biólogo Philip Munday, um dos autores da experiência.

SEM RUMO
Outros bichos que não sabem para onde ir:

Vacas - Por algum motivo, os bovinos gostam de ficar alinhados com o eixo magnético da Terra. Quando há linhas elétricas por perto, a bússola interna dos animais se desregula – e eles começam a pastar desalinhados. Só falta descobrir o que isso pode causar.

Aves migratórias - O aquecimento global, com seus invernos mais quentes, está fazendo com que espécies adiem suas migrações ou se percam. Os grous, por exemplo, estão trocando a Espanha pela Alemanha – e afetando o ecossistema de lá.

Morcegos - As torres de energia eólica são fatais para os morcegos. Elas geram uma turbulência que confunde o senso de direção dos bichinhos – que são atraidos para perto das hélices, onde há zonas de baixa pressão que estouram seus pulmões.

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/mudanca-oceano-peixes-palhaco-499419.shtml (acesso em 24/09/2009).

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Inca precisa de doadores de sangue

3 de setembro de 2009

Contra a vivisecção

8 de abril de 2009

“Pergunte para os vivisseccionistas por quê eles experimentam em animais e eles responderão: “Porque os animais são como nós”. Pergunte aos vivissecccionistas por quê é moralmente ‘OK’ experimentar em animais e eles responderão: “Porque animais não são como nós”. A experimentação animal apóia-se em contradição de lógica.” Charles R. Magel (professor)

“A vivissecção é bárbara, inútil e um empecilho ao progresso científico.”
Werner Hartinger (cirurgião alemão)


“A não- violência leva-nos aos mais altos conceitos de ética, o objetivo de toda evolução. Até pararmos de prejudicar todos os outros seres do planeta, nós continuaremos selvagens.”
Thomas Edison (cientista e inventor)

Fonte da imagem: http://xvacaloucax.blogspot.com/2007/03/vivisseco-e-experimentao-animal.html

A CRISE QUE ESTAMOS ESQUECENDO - Por Lya Luft

6 de abril de 2009

O tema do momento é a crise financeira global. Eu aqui falo de outra, que atinge a todos nós, mas especialmente jovens e crianças: a violência contra professores e a grosseria no convívio em casa. Duas pontas da nossa sociedade se unem para produzir isso: falta de autoridade amorosa dos pais (e professores) e péssimo exemplo de autoridades e figuras públicas.
Pais não sabem como resolver a má-criação dos pequenos e a insolência dos maiores. Crianças xingam os adultos, chutam a babá, a psicóloga, a pediatra. Adolescentes chegam de tromba junto do carro em que os aguardam pai ou mãe: entram sem olhar aquele que nem vira o rosto para eles. Cumprimento, sorriso, beijo? Nem pensar. Como será esse convívio na intimidade? Como funciona a comunicação entre pais e filhos? Nunca será idílica, isso é normal: crescer é também contestar. Mas poderíamos mudar as regras desse jogo: junto com afeto, deveriam vir regras, punições e recompensas. Que tal um pouco de carinho e respeito, de parte a parte? Para serem respeitados, pai e mãe devem impor alguma autoridade, fundamento da segurança dos filhos neste mundo difícil, marcando seus futuros relacionamentos pessoais e profissionais. Mal-amados, mal-ensinados, jovens abrem caminho às cotoveladas e aos pontapés.
Mal pagos e pouco valorizados, professores se encolhem, permitindo abusos inimagináveis alguns anos atrás. Uma adolescente empurra a professora, que bate a cabeça na parede e sofre uma concussão. Um menininho chama a professora de “vadia”, em aula. Professores levam xingações de pais e alunos, além de agressões físicas, cuspidas, facadas, empurrões. Cresce o número de mestres que desistem da profissão: pudera. Em escolas e universidades, estudantes falam alto, usam o celular, entram e saem da sala enquanto alguém trabalha para o bem desses que o tratam como um funcionário subalterno. Onde aprenderam isso, se não, em primeira instância, em casa? O que aconteceu conosco? Que trogloditas somos – e produzimos –, que maltrapilhos emocionais estamos nos tornando, como preparamos a nova geração para a vida real, que não é benevolente nem dobra sua espinha aos nossos gritos? Obviamente não é assim por toda parte, nem os pais e mestres são responsáveis por tudo isso, mas é urgente parar para pensar.
Na outra ponta, temos o espetáculo deprimente dos escândalos públicos e da impunidade reinante. Um Senado que não tem lugar para seus milhares de funcionários usarem computador ao mesmo tempo, e nem sabia quantos diretores tinha: 180 ou trinta? Autoridades que incitam ao preconceito racial e ao ódio de classes? Governos bons são caluniados, os piores são prestigiados. Não cedemos ao adversário nem o bem que ele faz: que importa o bem, se queremos o poder? Guerra civil nas ruas, escolas e hospitais precários, instituições moralmente falidas, famílias desorientadas, moradias sub-humanas, prisões onde não criaríamos porcos. Que profunda e triste impressão, sobretudo nos mais simples e desinformados e naqueles que ainda estão em formação. Jovens e adultos reagem a isso com agressividade ou alienação em todos os níveis de relacionamento. O tema “violência em casa e na escola” começa a ser tratado em congressos, seminários, entre psicólogos e educadores. Não vi ainda ações eficazes.
Sem moralismo (diferente de moralidade) nem discursos pomposos ou populistas, pode-se mudar uma situação que se alastra – ou vamos adoecer disso que nos enoja. Quase todos os países foram responsáveis pela gravíssima crise financeira mundial. Todos os indivíduos, não importa a conta bancária, profissão ou cor dos olhos, podem reverter esta outra crise: a do desrespeito geral que provoca violência física ou grosseria verbal em casa, no trabalho, no trânsito. Cada um de nós pode escolher entre ignorar e transformar. Melhor promover a sério e urgentemente uma nova moralidade, ou fingimos nada ver, e nos abancamos em definitivo na pocilga.

(Disponível em
http://arquivoetc.blogspot.com/2009/04/todos-os-individuos-nao-importa-conta.html)

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Hora do Planeta

24 de março de 2009

O WWF-Brasil participa pela primeira vez da Hora do Planeta, um ato simbólico, que será realizado dia 28 de março, às 20h30, no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global.

O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem como objetivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas.

Participe! É simples. Apague as luzes da sua sala.

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Carta ao Globo Repórter

22 de novembro de 2008

Ontem, após assistir ao Globo Repórter sobre a pesca no Brasil, fiquei bastante apreensiva sobre a forma como a questão foi tratada e decidi enviar uma mensagem para o site do programa. Abaixo está o texto, na íntegra.

Boa noite. Acabo de assistir ao Globo Repórter sobre a pesca no Brasil e tenho algumas considerações a respeito.

Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar a equipe pela escolha da pauta. Entretanto, a meu ver, um assunto tão delicado como a pesca – uma vez que envolve ecologia, economia, saúde e aspectos socioculturais – não foi tratado com a devida atenção.

Digo isso porque, apesar de terem sido citados os aspectos ambientais e a situação alarmante em que se encontram os estoques (?) pesqueiros do Brasil (e do mundo), faltou enfatizar que essa questão é MUITO grave e que é um dever de todos contribuir para amenizá-la. Pior ainda: houve uma espécie de enaltecimento de uma atividade que é sabidamente um dos maiores crimes praticados em ambiente marinho: a pesca industrial.

Logo no 1º bloco, os espectadores assistiram à glorificação desse tipo de pesca, que se baseia num modelo predatório em que só se extrai, sem que nada seja feito para mitigar os impactos. Nem uma só palavra foi dita sobre a falta de sustentabilidade dessa pesca – que revolve o fundo do mar, devasta comunidades bentônicas e nectônicas (haja vista o expressivo o número de arraias mostradas), tem rejeitos significativos e injustas capturas incidentais (até mesmo de espécies protegidas, tais como tartarugas e cetáceos, ou o mero, também mostrado) – justo numa época em que todos se pretendem tão “verdes”, “sustentáveis” e a favor da natureza.

Faltou coragem para denunciar o que está por trás dessa indústria que enriquece enquanto nossa desprotegida fauna sucumbe nas redes puxadas por homens talvez tão desprotegidos quanto ela, já que arriscam suas vidas nesse ofício e não têm sequer o direito a um padrão digno de vida. Além disso, a Rede Globo, como principal formadora de opinião no Brasil, poderia aproveitar o programa para incentivar a participação da população em iniciativas contra esse modelo pesqueiro predatório – com a exigência de uma maior fiscalização do que ocorre na pesca e de uma maior proteção aos ecossistemas marinhos – e ainda levantar a necessária bandeira contra a poluição dos oceanos.

Ao contrário, com uma visão excessivamente antropocêntrica, a emissora apenas enalteceu a coragem dos bravos homens do mar e incentivou um consumo ainda maior de peixe, principal fonte de Ômega 3. Não que esses pontos estejam errados ou tampouco sejam irrelevantes. De fato, os pescadores são merecedores de aplausos, especialmente os artesanais – com destaque para os de pirarucu, pela paciência e perseverança – e o Ômega 3 é comprovadamente muito bom para a saúde humana. Em suma, peixe é bom, todo mundo gosta e ainda gera emprego e renda.

OK, mas faltou o outro lado da moeda. Nada foi dito sobre a vulnerabilidade do atum em nossas águas. Nenhuma palavra sobre as estatísticas da FAO, IUCN, CITES a respeito da sobreexplotação dos recursos pesqueiros. Ah, essas siglas são desconhecidas? Sobreexplotar é uma palavra difícil? Pois é. Foi exatamente aí que a Rede Globo pecou em seu papel de comunicadora.

Os brasileiros têm direito de acesso a essas informações. Afinal, vai ser muito triste descobrir que não dá para viver sem Ômega 3 justamente quando a maior fonte desse ácido graxo está secando (com o perdão do trocadilho). Foi louvável falar sobre a questão da sardinha, mas insuficiente diante da gravidade do problema como um todo.

Faltou um jornalista ambiental ou científico na equipe. Faltou disponibilizar o contato de instituições sérias (ONGs, universidades…) que tentam a todo custo impedir que nossos mares virem imensos desertos de água salgada. Faltou permitir que os milhões de espectadores dessa emissora saibam que, se algo de urgente não for feito, as conseqüências serão irreversíveis. Já a visão profundamente egocêntrica que caracteriza a espécie humana, essa teve de sobra. A prova é que o assunto do chat depois do programa foi o bendito Ômega 3, excelente para o homem e péssimo para as toneladas e toneladas de peixes que morrem para nós, os poderosos, possamos continuar nosso impiedoso reinado sobre a Terra e, é claro, sobre os mares.

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Por um Brasil livre de transgênicos

13 de novembro de 2008

Que a questão dos transgênicos é polêmica não é novidade pra ninguém. Porém, eu não sabia que a coisa era tão séria e com tantos interesses políticos e corporativos, como os dos oligopólios formados pela Monsanto, Bayer, Basf, Dupont e Syngenta, entre outras empresas.

Tive hoje a oportunidade de assistir à palestra de Gabriel Bianconi Fernandes da ONG AS-PTA, dedicada à agricultura alternativa. Depois disso, me senti na obrigação de divulgar o trabalho da ONG e levantar uma bandeira contra os transgênicos.

Afinal de contas, estes entraram ilegalmente no Brasil, já que sua legalização só ocorreu em 2005 (sem EIA / RIMA!!!!) e devido à pressões ruralistas do Congresso e corporativas das empresas anteriormente citadas. As primeiras sementes de soja transgênica entraram no Rio Grande do Sul vindas por contrabando da Argentina, razão pela qual foram graciosamente batizadas de "Soja Maradona" (ou seja, boa coisa é que não é, até porque a razão certamente não são as características futebolísticas).

Além disso, a aprovação dos transgênicos foi feita sem levar em conta nenhum parecer do IBAMA, fundamental por se tratar de um produto com importantes impactos ambientais (tais como poluição genética, criação de novas bactérias ou vírus patogênicos e eliminação da biodiversidade, por conta de monoculturas totalmente limpas, isto é, que dizimam tudo que estiver ao redor).

Tem mais! A Anvisa também foi excluída do processo. A ganância humana é tanta que nem com a própria espécie muitos seres se preocupam mais. Entre outras "maravilhas", a soja transgênica pressupõe um aumento no uso de herbicidas. Como ela é resistente a eles, os herbicidas são despejados por aviões (!) sobre as plantações. Será que isso vai parar no nosso prato? Será? Será?

Bem, o fato é que a AS-PTA se dedica ao estudo de formas de agricultura alternativa e vale a pena conferir mais informações no site deles. O link é http://www.aspta.org.br

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Demanda de água no Brasil

23 de setembro de 2008

Demanda por água exige investimentos de R$ 12,75 bilhões por ano

No Brasil, 20% da população mais rica têm acesso à água e saneamento em níveis comparáveis ao dos países desenvolvidos, enquanto os 20% mais pobres têm acesso mais baixo que no Vietnã, segundo Relatório de Desenvolvimento Humano 2006 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Os dados revelam que a desigualdade envolve até mesmo um bem aparentemente tão abundante como a água, especialmente no país que conta com o maior volume de água doce disponível do mundo, tendo 12% de toda a reserva mundial. A vazão média anual dos rios brasileiros equivale a 72 piscinas olímpicas (180 mil metros cúbicos) fluindo a cada segundo, de acordo com informações do relatório GEO Brasil Recursos Hídricos, que, pela primeira vez, sistematizou o estado e o consumo de água no País.

O mesmo documento afirma que para reduzir à metade a população desatendida e ainda suprir a demanda crescente de água e saneamento nas cidades, o governo brasileiro terá de investir 178,5 bilhões de reais até 2020. Esse desembolso corresponde a R$ 12,75 bilhões por ano. Uma montanha de dinheiro que supera todo o valor que o governo federal deve gastar em 2007 com o custeio e os investimentos na área de Educação (R$ 9,13 bilhões).

O consumo diário de água do brasileiro varia muito de região a região, mas em algumas localidades como a Região Hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental, que se estende pelos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, as retiradas já são superiores à disponibilidade hídrica. Considerando que o abastecimento urbano é o segundo maior consumidor de água no Brasil (27%), perdendo apenas para o setor agrícola (46%), os moradores da cidade podem ajudar muito a diminuir a pressão por mais água. Veja quanto você gasta de água em algumas atividades do cotidiano:

Máquina de lavar roupa: 150 litros a cada lavagem no nível alto

Lavar a calçada com mangueira: 120 litros

Lavar o carro com mangueira: 100 litros de água

Portanto, só acione a máquina de lavar quando ela estiver bem cheia de roupa. Não lave a calçada com mangueira, varra primeiro e depois lave com um balde. Não lave o carro usando mangueira, prefira um balde. Desse modo, você vai em mais da metade o volume de água aplicado nessas atividades, vai diminuir a fatura no final do mês e, especialmente vai permitir que os recursos do governo sejam aplicados em prol daqueles que realmente não têm acesso à água limpa nem a saneamento básico.

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 22 milhões de pessoas não dispõem de água potável, e acabam suprindo suas necessidades com água imprópria para o consumo, correndo o risco de contrair diarréias e outras doenças provocadas por parasitas. As comunidades afetadas pela escassez de água de qualidade têm seu desenvolvimento social e econômico prejudicado, o que acaba por afetar a todos, direta ou indiretamente. Por exemplo, o consumo de água de má qualidade é responsável por cerca de 700 mil internamentos hospitalares todo ano, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), consumindo recursos pagos por toda a sociedade por meio de impostos.

Fonte: Instituto Akatu - http://www.akatu.org.br

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Um drama que vem embalado

16 de setembro de 2008

A campanha eleitoral na TV e no rádio mostra, principalmente nos grandes centros urbanos, uma temática semelhante, que quase se resume às questões dos transportes, da violência, da educação e da saúde.

Quase não está presente nas propostas e discussões a questão dos resíduos, do lixo.

E, no entanto, é das mais graves que enfrentam as cidades, das mais populosas às menores. Convém relembrar que já em 2002 eram coletadas 230 mil toneladas diárias só de lixo domiciliar e comercial no País (1,3 quilo por pessoa/dia), sem falar em resíduos de construções (mais que o domiciliar e comercial), lixo industrial, de estabelecimentos de saúde, lixo tecnológico e – ausência absoluta – lixo rural produzido principalmente pelos excrementos de mais de 200 milhões de cabeças de gado bovino, dezenas de milhões de suínos, bilhões de aves.

Pouco se sabe também de quanto lixo urbano não é coletado. Fala-se em mais de 10 mil toneladas/ dia. E em mais de metade dos municípios todos os resíduos vão para lixões a céu aberto.

Para demonstrar a gravidade da situação basta relembrar que a cidade de São Paulo está com seus aterros esgotados e terá de definir, em curtíssimo prazo, onde depositará as pelo menos 14 mil toneladas diárias de lixo domiciliar e comercial que gera.

Curitiba também esgotou seu aterro. Belo Horizonte tem de mandar seu lixo para dezenas de quilômetros de distância. O Rio de Janeiro, que não tem área no município para colocar suas 9 mil toneladas diárias de resíduos e esgotou o Aterro de Gramacho – onde já há trincas perigosas e expulsão do lodo da base (era um manguezal) por causa do excesso de peso acumulado –, tenta licenciar outro aterro em Paciência.

Convém lembrar ao eleitorado de todas essas cidades o que aconteceu em Nova York (EUA), que deixou esgotar seu aterro e tem e mandar 12 mil toneladas diárias para mais de 500 quilômetros de distância, em caminhões.

Ou em Toronto (Canadá), que também manda 3 mil toneladas diárias para mais de 800 quilômetros de distância, em trem diário especial, a custos astronômicos. Não bastasse o volume do lixo, é preciso acrescentar que a reutilização e reciclagem de materiais no País é muito insuficiente.

As estatísticas dizem que só se reciclam em empresas 45,5% (2,8 milhões de toneladas/ ano) do papel e papelão descartados, 45% do vidro, 24,2% das embalagens longa-vida (9,2 bilhões), 1 milhão de toneladas de plásticos e 95% das latas de alumínio. As usinas públicas de reciclagem paulistanas operam com menos de 1% do lixo total.

E a esse panorama assustador veio, há poucas semanas, agregar-se mais uma preocupação: a liberação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do uso de embalagens de PET para acondicionar alimentos e bebidas. Hoje, quase 50% do PET usado no País já não é reciclado. E se toda a produção de cervejas no País (9 bilhões de litros/ ano) passar a ser envasada em PET, serão descartados entre 14 bilhões e 18 bilhões anuais de garrafas – agravando o problema dos aterros e das embalagens não recolhidas, já que não há retorno e reutilização.

Não se sabe ainda como se resolverá juridicamente a questão de haver sido concedida pela Justiça Federal, em Marília (SP), medida que exige aprovação, pelo Ibama, de estudo de impacto ambiental para essa utilização do PET em cervejas.

Também no âmbito do projeto de Política Nacional de Resíduos Sólidos enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional não se vê otimismo. Isso ficou patente em recente seminário promovido no Rio de Janeiro pelo Movimento PET Consciente.

O relator da matéria, deputado Arnaldo Jardim, mostrou ali que se prevê uma “logística reversa” a ser implantada nas cadeias produtivas para dar destinação a embalagens; mas isso só será decidido, na prática, numa regulamentação posterior ao projeto.

E a experiência mostra, em projetos anteriores, que esse caminho tem sido barrado no Legislativo pela força dos lobbies dos setores interessados.

Segundo o deputado, a responsabilidade do gerador de resíduos em geral “cessa com a disponibilização adequada dos resíduos sólidos para a coleta”. Será lamentável se for esse o rumo decidido.

Porque não haverá solução para o problema se todo gerador de resíduos (industrial, comercial, domiciliar, rural, tecnológico e qualquer outro) não arcar com o custo da coleta e destinação – como a experiência em muitos países tem demonstrado (e é lamentável que a reduzida discussão sobre esse tema na capital paulista se resuma à afirmação da ex-prefeita de que se arrepende de haver criado a “taxa do lixo”, abolida pela administração posterior – a criação é que era correta e imprescindível) .

No mesmo seminário, o professor Gil Anderi, da Universidade de São Paulo, sugeriu que se crie uma taxa por produto descartado “proporcional ao impacto ambiental”.

E este deveria ser avaliado por uma “análise do ciclo de vida” do produto: no caso do PET, o impacto desde a extração do petróleo, a refinação, a produção da resina, sua transformação em embalagem e até o impacto na reciclagem (energia, água, transporte, etc.).

Para isso seria preciso implantar um banco de dados regional por produto, que no caso do PET levasse em conta 13 possíveis utilizações e cinco opções diferentes de garrafas. Seja como for, não será possível avançar – como assinalou no seminário o jornalista André Trigueiro – “sem que se explicitem os conflitos”. Eles precisam ser discutidos.

Talvez um caminho seja o proposto pelo Movimento PET Consciente: moratória em novas utilizações do PET, até que se alcance o índice mínimo de 80% na reciclagem; e a indústria de bebidas ter obrigatoriamente pelo menos 50% de sua produção envasada em embalagens retornáveis – sejam elas de vidro, PET, alumínio ou outras.

Washington Novaes é jornalista
E-mail: wlrnovaes@uol. com.br

Publicado no Estado de S.Paulo, 29 de agosto de 2008

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